Em painel sobre o aniversário de Brasília, presidente da ADEMI DF reafirma defesa da ocupação legal e planejada no DF

14 abr 2026

“Nós precisamos pensar o futuro da ocupação urbana em Brasília, mas dentro da legalidade”, defendeu Fracon Júnior. Segundo o presidente da ADEMI DF, o mercado imobiliário vive uma dicotomia histórica entre o legal e ilegal, que precisa urgentemente ser solucionada. “Mas, para isso, precisamos apresentar alternativas regulares. Assim, poderemos construir imóveis para todos os perfis de renda. Este é o caminho para que o problema seja, de fato, resolvido”, argumentou, durante painel no evento “Brasília 66 anos: uma cidade em constante transformação”, realizado nesta terça-feira (14), no auditório do Correio Braziliense, na capital federal. A programação é alusiva ao aniversário da cidade, comemorado em 21 de abril.

Para Fracon Júnior, qualquer discussão séria sobre o futuro da capital, e do Distrito Federal, deve colocar a ocupação do solo e a habitação como fator estratégico e crítico. “Quando pensamos em planejamento, inovação e qualidade de vida, esses fatores ganham ainda maior relevância, colocando o mercado imobiliário como parte essencial da equação”, enfatizou.

O presidente da ADEMI DF participou do painel “O futuro da capital: planejamento, inovação e qualidade de vida”. O debate também contou com a participação de Ivelise Longhi, integrante do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico (Codese-DF); Thiago Trindade, professor de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB) e coordenador do Observatório das Metrópoles em Brasília; e de Todi Moreno, administrador do Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek. A mediação foi realizada pelos jornalistas Carmen Souza e Carlos Alexandre de Souza, do Correio Braziliense.

Crescimento do DF e próximas gerações 

O evento foi prestigiado pela governadora do DF, Celina Leão (PP), que apontou o crescimento do DF como uma oportunidade. “Precisamos urgentemente pensar em uma matriz econômica diferente da que existe hoje. Preparar Brasília para as próximas gerações talvez seja o maior desafio de todos os gestores que passem por esta pasta de governador do Distrito Federal”, afirmou.

Guilherme Machado, presidente do Correio Braziliense e anfitrião do evento, falou sobre a importância de o DF crescer sem perder a essência. “Precisamos modernizar sem esquecer o plano original. Precisamos incluir, gerar emprego e cuidar das cidades satélites, que são tão Brasília quanto a Esplanada. Brasília não é só o Plano Piloto, é Sol Nascente, é Planaltina, é Samambaia. É uma capital feita de muitos Brasis”, declarou.

Oferta de terrenos regulares e demanda por moradia

Em sua exposição, o presidente da ADEMI DF destacou que o DF tem 371 áreas em processo de regularização na Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh). Além disso, o novo PDOT prevê a regularização de outras 28 ocupações consolidadas. “Em contrapartida, no DF, a aprovação do projeto de um novo empreendimento legal pode levar mais de 24 meses”, criticou, enfatizando a baixa oferta de lotes regulares e a necessidade de ampliação dessas áreas para incorporação e construção.

Ainda segundo Fracon Júnior, o mercado imobiliário tem grande potencial de expansão. Dados da Seduh mostram que o déficit habitacional do DF é estimado em mais de 100 mil unidades. Já de acordo com a última Pesquisa Ipsos-Ipec, 52% da população sonha em adquirir um imóvel e 41% dos habitantes vivem em moradias alugadas.

Compromisso com a legalidade e boas práticas construtivas 

Durante o seminário, o presidente da ADEMI DF reforçou que as maiores empresas do mercado imobiliário do DF têm contribuído com o desenvolvimento planejado do DF, por meio de projetos com qualidade técnica e cumprimento da legislação em vigor, viabilidade econômico-financeira, respeito ao meio ambiente e métodos construtivos seguros e inovadores.

Fracon Júnior citou, também, a doação de projetos urbanísticos ao poder público, a exemplo do Noroeste e novo bairro Jóquei Clube, como contribuição para o futuro do Distrito Federal. “O mercado imobiliário tem participado ativamente da discussão de leis e outras normas, com objetivo de levar sugestões técnicas e a experiência do setor organizado, que trabalha sempre dentro da legalidade e a favor das boas práticas construtivas”, afirmou.

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