TENDÊNCIAS DO MERCADO IMOBILIÁRIO: DA EXPERIÊNCIA FIGITAL AO ESG

14 jun 2021

Pedro Henrique Colares Fernandes, empresário e conselheiro da ADEMI DF

A pandemia do novo coronavírus reforçou o conceito figital.* Esse movimento já está colocado no Distrito Federal e é o tema de artigo inédito assinado pelo empresário Pedro Fernandes, conselheiro da ADEMI DF. Segundo ele, o comprador quer “apartamentos com cara de casa” e a combinação de prestação de serviços, aplicação de tecnologia e responsabilidade social das empresas compõe a equação que moldará o desempenho do setor. Um futuro que já chegou.

A aceleração da transformação digital é um dos principais legados da pandemia: independente do porte e segmento, incorporadoras, construtoras e imobiliárias brasileiras mergulharam no ambiente digital para manter o diálogo com o mercado e conquistar clientes. Esse avanço foi realizado com agilidade e qualidade, além de investimento financeiro, ancorando o bom desempenho do setor em meio à incerteza que foi gerada.

A digitalização tornou-se realidade em todas as etapas, desde a abordagem e prospecção de leads até a apresentação do imóvel com tour virtual, a realização de salões imobiliários digitais e a assinatura de documentos e propostas. A tecnologia encurtou caminhos, mas não esvaziou o espaço físico como vetor de convencimento e conquista do cliente: a unidade decorada agora carrega o conceito do empreendimento, traduzindo muito mais do que opções de decoração, mas a verdadeira experiência de morar.

Outra tendência observada é que o comprador de imóveis busca apartamentos com espírito de casa – é o vertical e o horizontal se misturando em um novo jeito de morar, apresentado em unidades com vista livre, paisagismo mais robusto e áreas comuns maiores e bem equipadas. Espaços como a varanda têm nova importância, com contornos de quintal, jardim individual e também área gourmet.

Essa expectativa do comprador, que já está colocada no dia a dia do mercado e vai crescer, sustentará um novo momento para a incorporação imobiliária e uma presença cada vez maior de projetos autorais como resposta ao desejo de ter moradia diferenciada mesmo vivendo em um edifício. Se a casa foi opção preferencial para quem deseja ter mais espaço físico e um ambiente que traduza o seu perfil e idiossincrasias, daqui para diante esse desafio estará deslocado também para os apartamentos. É um movimento que valoriza a arquitetura e o design e vai impactar não apenas espaços internos, mas principalmente fachada e áreas comuns dos empreendimentos verticais. É tempo de inovação com foco nas necessidades de morar do usuário.

Nesse campo, a pandemia mudou a percepção do que é importante de fato para as pessoas, com impacto sobre as escolhas do comprador de imóveis. Se nos últimos anos, o público jovem vinha buscando mais flexibilidade e imóveis pequenos, hoje começa a buscar o contrário: atropelada pelo vírus, a noção de que se pode ir aonde quiser dá lugar, agora, à percepção de importância de ter uma casa. Como resultado, vemos o público jovem – na faixa etária dos 30 anos – voltando com força às compras no mercado imobiliário.

O distanciamento imposto pela Covid-19 mudou o ambiente de trabalho e estudo, levando para dentro da casa de cada um experiências antes vividas em outros lócus. O trabalho à distância, radicalizado pela pandemia, deve dar lugar a rotinas híbridas, mas a flexibilização veio pra ficar. Pensar empreendimentos que atendam essa demanda com eficiência, oferecendo espaços comuns adequados a tais tarefas e apartamentos preparados para o home office mesmo que ocasional, assim como provendo serviços que facilitem a vida do morador é tendência irreversível para o nosso setor.

Se hoje os prédios brasileiros não entregam serviços, o futuro próximo será cada vez mais marcado por empreendimentos inteligentes, que oferecem espaço e um amplo leque de serviços e comodidades que facilitam e descomplicam a vida das pessoas. Falo de centrais de babás, brinquedotecas com monitores, academias com instrutores, serviço de concierge para fazer e receber encomendas e tudo o mais que permita ao morador atender todos os seus compromissos com comodidade.

Nesse campo, também perceberemos a presença cada vez maior da internet das coisas, com a aplicação de novas tecnologias para garantir segurança de uma forma mais ampla – crescem comando de voz, reconhecimento facial e outras tecnologias que se conectam à casa e aos edifícios. Engatinhando no Brasil, seu uso deve acelerar em um futuro que é pra já.

A inovação, como atributo e vetor estratégico de desenvolvimento do mercado imobiliário, já é realidade no Brasil e seu impacto será cada vez mais rápido e relevante. O outro vetor que se fortalece é o impacto social do mercado, que tem ganhado destaque em todos os setores pela sigla em inglês ESG (Environmental, Social and Corporate Governance) como resposta a um consumidor que cobrará, cada vez, que as empresas façam a sua parte em benefício de um mundo melhor.

Essa demanda abrange desde parâmetros sustentáveis nas construções, a edifícios que melhorem seu entorno por meio de verdadeiras gentilezas urbanas. Combinar tais paradigmas e entregar produtos inovadores ao cliente é o desafio colocado perante o empresário brasileiro.

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Imprensa Ademi-DF

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