MERCADO IMOBILIÁRIO CRESCE NO PRIMEIRO TRIMESTRE, MAS PANDEMIA PODE ADIAR LANÇAMENTOS, REVELA ESTUDO NACIONAL DA CBIC

27 Maio 2020

O Brasil registrou um aumento de 26,7% nas vendas de imóveis residenciais novos (apartamentos) no comparativo entre o 1º trimestre de 2020 e o 1º trimestre de 2019. O setor vinha em uma tendência de crescimento desde janeiro de 2018. Entretanto, as incertezas geradas pela pandemia de Covid-19 levaram a uma queda de 14,8% nos lançamentos de unidades habitacionais na comparação entre janeiro, fevereiro e março deste ano e o mesmo período do ano passado. A queda nas vendas é menor em regiões com maior presença do Minha Casa Minha Vida.

Esses dados fazem parte do estudo Indicadores Imobiliários Nacionais, com resultados do 1º trimestre de 2020. Realizado desde 2016 pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai Nacional), o trabalho foi divulgado durante coletiva de imprensa online nesta segunda-feira (25/5), com os dados coletados e analisados de 118 municípios, sendo 18 capitais, de Norte a Sul do Brasil. Algumas cidades foram analisadas individualmente ou dentro das respectivas regiões metropolitanas.

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A CBIC apresentou, ainda, uma avaliação preliminar dos efeitos da crise sanitária, mostrando que 79% das construtoras pretendem adiar lançamentos que estavam previstos para os próximos meses. Os dois mapeamentos foram realizados em parceria com a empresa Brain Inteligência Estratégica.

Para o presidente da CBIC, José Carlos Rodrigues Martins, a comparação anual mostra que 2020 seria o ano que consolidaria o crescimento do setor. “Estávamos em franca decolagem, seguindo o mesmo caminho trilhado desde 2018. No primeiro trimestre de 2020, em relação a 2019, tivemos um acréscimo de mais de 26% nas vendas. Mas apesar do setor já ter sentido os reflexos da pandemia a partir do mês do abril, acreditamos que a construção civil, por meio dos seus vários pilares, é que vai ajudar na retomada desse novo momento no Brasil.”  

Lançamentos

No 1º trimestre de 2020, os lançamentos de imóveis (18.388 unidades) apresentaram uma queda de 14,8% na comparação com o 1º trimestre de 2019. A maior queda no número de unidades lançadas foi observada na região Nordeste (2.361 unidades), com 56,3% menos que no 1º trimestre de 2019, seguida pelo Sul, com diferença de 29,1% (3.621 unidades). A região Sudeste teve pequena variação negativa, de 2,4% (8.745 unidades).

As exceções foram a região Norte, que no 1º trimestre de 2020 lançou 754 unidades, ou 183,5% mais que no mesmo período de 2019. Na região Centro-Oeste, foram 2.907 lançamentos – alta de 57,4% no comparativo com janeiro, fevereiro e março do ano passado.

Houve queda geral de 69,1% no comparativo de lançamentos do 1º trimestre de 2020 (18.388 unidades) com o 4º trimestre de 2019 (59.553 unidades), que foi o melhor trimestre em lançamentos dos últimos dois anos. A maior diferença foi no Sudeste, com 8.745 lançamentos ou 79,2% menos que no período imediatamente anterior.

O valor geral dos lançamentos (VGL) do 1º trimestre de 2020 foi de R$ 6,3 bilhões e caiu 9,65% em relação ao 1º trimestre de 2019 e 76% em relação ao 4º trimestre de 2020. O índice representa a soma do valor potencial das vendas de todas as unidades que compõem os empreendimentos lançados.

Vendas

No país todo, as vendas apresentaram um aumento de 26,7% no 1º trimestre de 2020 em comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado foi positivo em todas as regiões. No Sudeste, foram vendidas 18.443 unidades, ou 39% mais imóveis verticais que no mesmo período de 2019. No Norte, foram vendidas 868 unidades (+27,8%), e no Nordeste, 7.311 (+21,3%). No Sul foram vendidos 5.454 apartamentos (+12%) e no Centro Oeste, 2.335 (+0,7%).

A oferta final apresentou uma queda de 2,5% em relação ao trimestre anterior e um aumento de 8,1% em relação ao mesmo trimestre de 2019.

O valor geral de venda (VGV) do 1º trimestre de 2020 foi de R$ 12,66 bilhões e cresceu 15,14% em relação ao 1º trimestre de 2019 e caiu 32,1% em relação ao 4º trimestre de 2019. Trata-se da soma de valor potencial de venda de todas as unidades que compõem os empreendimentos imobiliários. 

Minha Casa Minha Vida

O estudo Indicadores Imobiliários Nacionais do 1º Trimestre de 2020 também analisou a participação do programa habitacional Minha Casa Minha Vida (MCMV) nas unidades lançadas e nas unidades vendidas por região brasileira. A representatividade do MCMV sobre o total de lançamentos, no período, foi de 57%. Sobre o total de vendas, essa participação foi de 55,6%.

A queda nas vendas entre imóveis de médio e alto padrão e imóveis do Minha Casa Minha Vida, durante a pandemia, é desproporcional. Nas regiões com maior incidência do programa, a queda foi menor. Em Maceió, por exemplo, houve aumento de 8% nas vendas de imóveis no mês de abril. Em Curitiba, no mesmo período, houve uma redução de 77% nas vendas.

Na avaliação do vice-presidente de Indústria Imobiliária da CBIC, Celso Petrucci, as obras financiadas pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) potencializaram o mercado imobiliário durante o período. “A participação do Minha Casa Minha Vida se torna cada vez mais fundamental para o mercado imobiliário. Apesar da pesquisa ter levado em conta apenas empreendimentos verticais de 118 municípios, mesmo assim a participação do MCMV representou 57% dos empreendimentos. O que significa que, analisando o cenário como um todo, o recurso do FGTS e o MCMV devem ser responsáveis por cerca de 80% do número de unidades do mercado de todo o país.”

Covid-19

Houve uma paralisação em relação à perspectiva de vendas em função da pandemia do novo coronavírus. Uma avaliação preliminar dos efeitos da Covid-19 com empresários da construção civil, realizada pela CBIC e pela Brain, mostra que 79% das empresas pretendem adiar lançamentos.

Para estimar o impacto da pandemia, foram consideradas amostras representativas de cidades das cinco regiões do Brasil: Maceió (AL), Curitiba (PR), Manaus (AM), Goiânia (GO) e São Paulo (SP). Empresários do setor foram ouvidos entre 25 de abril e 4 de maio, em conjunto com a CBIC e mais de 50 entidades setoriais de todo o país. 

Vendas Online

Houve um crescimento nas vendas online durante o mês de abril, o que pode antecipar uma oportunidade de reposicionamento para o mercado pós-coronavírus. Das 540 empresas pesquisadas pela CBIC e pela Brain em abril, 56% fecharam vendas durante a pandemia, sendo que 55% das negociações tiveram início após 20 de março (mesmo com os pontos de venda física fechados). Além disso, 40% das empresas participantes do levantamento não sentiram ou sentiram queda sutil na busca por imóveis online.

Com Agência CBIC

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Imprensa Ademi-DF

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