RELACIONAMENTO, MARKETING E TECNOLOGIA FARÃO O FUTURO DO MERCADO IMOBILIÁRIO, AVALIA EXECUTIVO DA QUADRAIMOB

05 Maio 2020

Passados quase dois meses da chegada da Covid-19 ao Brasil, já é possível enxergar parte do legado que a pandemia pelo novo coronavírus deixará para o mercado imobiliário do Distrito Federal: a nova realidade criada pelo distanciamento social transformou a atividade do setor, tornando decisivos mecanismos até então estratégicos: o relacionamento mais próximo com o cliente, a apropriação da tecnologia como ferramenta de negócios e o melhor uso do marketing, com foco no ambiente da internet, estão se fortalecendo e moldarão o futuro pós-pandemia.

“As empresas precisam ter cuidado com o marketing digital. Se até aqui a digitalização em uma imobiliária era inevitável, agora é inadiável”, avisa Rogério Oliveira, sócio da Quadraimob Soluções Imobiliárias. Convidado da quinta edição virtual do ADEMI DF Debate, o executivo fez projeções otimistas para o mercado imobiliário no pós-pandemia e sinalizou as oportunidades que antevê para cada player desse mercado. “As vidas que foram perdidas não podemos recuperar, mas muita coisa boa virá depois dessa crise. Mais higiene, mais cuidado com a saúde, mais valor aos relacionamentos. Que essa crise sirva para nos tornar pessoas e empresas melhores”, comentou.

Mediado pelo presidente da entidade, Eduardo Aroeira Almeida, o ADEMI DF Debate foi transmitido pelo Instagram na tarde de segunda-feira (04) e contou com a participação de cerca de 200 pessoas. “Todos teremos de nos adaptar a esse novo momento, apropriando novos processos que surgiram e aperfeiçoando a forma de trabalhar”, concordou Aroeira. Os dois executivos avaliam que o mercado imobiliário reúne condições para uma retomada mais rápida e robusta no futuro.

“2019 foi um ano excelente, vínhamos de anos difíceis”, disse o presidente da ADEMI DF. “A tendência é que a superação da crise atual seja mais fácil”, completou, comparando o ambiente de negócios desse 2020 com aquele das crises de 2008 e 2012. Para Aroeira, a combinação do estoque de unidades baixo com inflação controlada em patamares reduzidos, taxas de juros baixas e acesso ao crédito imobiliário facilitado cria um cenário favorável para a recuperação do mercado imobiliário já no segundo semestre.

Paralelos da crise – “A crise atual é mais aguda, pois tem um aspecto importante de saúde, mas os indicadores econômicos são mais favoráveis que no passado”, concordou Rogério Oliveira. “Os indicadores para o mercado sinalizam uma retomada mais forte. Brasília sofre menos que outros Estados com crises econômicas, pois a população tem uma renda predominantemente formal”.

O executivo da Quadraimob traçou um paralelo entre as turbulências geradas pela pandemia da Covid-19 com outras crises que sacudiram os mercados no passado, com impacto também no DF. No final de 2008, lembrou, quando o banco Lehman Brothers quebrou e arrastou as economias ao redor do mundo, o mercado imobiliário no DF caiu, mas precisou de poucos meses para se recuperar: em março de 2009, a crise de insegurança havia sido revertida e o DF chegou a vender mais imóveis que Estados como São Paulo e Rio de Janeiro por alguns meses.

Esse ímpeto de crescimento alcançou seu ápice em 2011: naquele ano, o DF registrou o lançamento de 85 novos empreendimentos, patamar nunca mais repetido desde então. Em 2012, o mercado acumulava estoque de 18 mil unidades, em um mercado cuja demanda era de seis mil imóveis ao ano. De lá para cá, contextualizou Oliveira, o mercado imobiliário sofreu enxugamento, voltando a demonstrar força em 2019, quando foram lançados 42 empreendimentos, com Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 2,9 bilhões. O estoque caiu para 4,8 mil unidades no primeiro trimestre de 2020.

As métricas do período da pandemia mostram um movimento diferente. O executivo da Quadraimob retratou em números o desempenho da empresa nesse período em que os clientes estão evitando sair à rua: comparado ao primeiro trimestre de 2019, o número contatos com clientes novos cresceu 29%; a visita espontânea aos estandes caiu 40%; mas as visitas marcadas caíram apenas 12%, mantendo o volume médio observado no primeiro trimestre. Rogério Oliveira também registrou o lançamento de 12 empreendimentos antes da pandemia: a retração foi observada em de abril, mas ainda assim a empresa cumpriu 54% da meta estabelecida para o mês.

Mudanças que ficam – “Nós ainda teremos um bom volume de lançamentos nesse ano. Muitas empresas se organizaram e vão voltar”, avalia Oliveira. Para ele, é possível que, passada a pandemia, o mercado registre volume de lançamentos maior que o alcançado em 2018, mas não deve superar os 42 lançamentos de 2019. “A incerteza torna o movimento de maior cautela no mercado natural. Nós esperamos pela retomada logo depois que o cenário fique mais claro”, completou Eduardo Aroeira Almeida.

Para o executivo da QuadraImob, a pandemia pelo novo coronavírus criou um ambiente novo para o mercado imobiliário e muitas práticas vieram para ficar. Para Rogério Oliveira, a tecnologia será cada vez mais usada na prospecção de clientes e o marketing digital será muito importante na vida de qualquer empresa daqui para diante. “Vamos usar mais vídeos tanto para imóveis prontos, decorados e em construção”, afirmou. O executivo também aposta na redução da burocracia para acesso ao crédito e à formalização das vendas. “A jornada de compra será mais digital. O cliente vai demorar mais para o contato presencial e as empresas devem estar preparadas com sistemas de gestão e CRM”, comentou, frisando que a decisão final da compra será presencial e com participação dos corretores.

Em suas considerações finais, Oliveira deixou uma mensagem para cada player do mercado:

  • para os compradores: “Taxa Selic e crédito baixos, estoque baixo, menos lançamentos indicam que o preço vai subir. É natural que o cliente espere uma queda dos preços, mas não está acontecendo”.
  • para os corretores: “invistam tempo em capacitação e prospectem o máximo de clientes. Não se preocupem com a venda: a venda é um detalhe, é uma consequência do bom atendimento. O momento é de construir e cultivar um bom relacionamento com o cliente”.
  • para o incorporador: “Não deixe de investir em marketing. Pense também em produtos voltados a investidores e apresentem bem seus produtos”.
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Imprensa Ademi-DF

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