Em encontro com representantes da construção civil e do mercado imobiliário, Arruda, Kiko Caputo e Ricardo Capelli defenderam diferentes caminhos para enfrentar ocupações irregulares, ampliar investimentos, rever o uso de áreas centrais e dar mais previsibilidade ao setor
Durante encontro promovido pela ADEMI DF e pelo Sinduscon-DF com representantes da construção civil e do mercado imobiliário, os candidatos ao governo do Distrito Federal José Roberto Arruda (PSD), Kiko Caputo (Novo) e Ricardo Capelli (PSB) apresentaram propostas para o desenvolvimento urbano e econômico do DF. Entre os principais pontos abordados estiveram o combate à ocupação irregular do solo, a segurança jurídica, a infraestrutura, a revitalização de áreas centrais e o papel do BRB na economia. Apesar das diferenças entre as propostas, os três defenderam a necessidade de planejamento, investimentos e maior capacidade de execução do poder público para orientar o crescimento da cidade.
José Roberto Arruda concentrou sua fala na retomada da capacidade de planejamento e execução do governo, com maior participação da iniciativa privada, segurança jurídica e previsibilidade para os investimentos. O candidato criticou a demora na execução de obras públicas e defendeu um “choque de gestão”, além de um plano geral de obras construído em conjunto com o setor produtivo.
Uma das propostas de maior aproximação com o empresariado foi a indicação de que seu eventual secretário de Obras será escolhido a partir de uma indicação do próprio setor. “Quando a gente traz alguém do setor produtivo, ele desenrola. É isso que eu quero fazer”, afirmou. Arruda também defendeu a utilização de parcerias público-privadas e citou projetos de infraestrutura que poderiam combinar investimentos públicos e privados.
No debate sobre ocupação irregular, Arruda criticou a construção de empreendimentos sem alvará e em terrenos irregulares, apontando o que considera uma concorrência desigual com empresas que cumprem todas as exigências legais. “Você vai lá, compra o terreno caro, a terra é cara, tem que enfrentar a burocracia para fazer tudo direitinho. Aí o caboclo vai lá na Vicente Pires e levanta um prédio lá de qualquer jeito”, disse. Na sequência, resumiu sua posição: “Águas Claras é o certo. Vicente Pires é o errado. É muito simples.”
O candidato também defendeu o uso misto do Setor Comercial Sul e propôs que o próprio setor apresente um projeto de revitalização. Em relação ao BRB, afirmou que o banco vinha exercendo um papel positivo no financiamento à construção civil. “Eu achava que ele estava indo bem, porque ele estava financiando a construção civil”, declarou.
Kiko Caputo colocou o combate à ocupação irregular e a revitalização de áreas centrais entre os principais pontos de sua proposta. Para o candidato, a fiscalização deve combinar tecnologia e planejamento urbano, mas é necessário diferenciar quem promove deliberadamente uma ocupação ilegal do cidadão que adquiriu um imóvel acreditando estar dentro da legalidade. “A ocupação ilegal é caso de polícia”, afirmou. Ao mesmo tempo, defendeu a regularização de situações consolidadas quando não houver impedimentos, como forma de oferecer segurança jurídica a pessoas que vivem há anos nessas áreas.

Na área urbana, Caputo foi contundente ao defender a transformação do Setor Comercial Sul, com a ampliação dos usos dos imóveis e a possibilidade de habitação. “Sou radicalmente a favor da ocupação do Setor Comercial Sul com ensino e habitação”, afirmou. Para ele, áreas comerciais e bancárias podem receber novas atividades sem que Brasília deixe de preservar suas características urbanísticas. “Por que o setor comercial não pode ter habitação? Por que o setor comercial não pode ter uma universidade? Por que o setor bancário não pode ter uma farmácia?”, questionou.
Outra frente apresentada pelo candidato foi a redução da burocracia na aprovação de projetos. Caputo defendeu que um mesmo técnico acompanhe o empreendimento do início ao fim e que sejam estabelecidos prazos para os processos. “A gente tem que colocar um prazo e temos que deixar o mesmo técnico para fazer a avaliação do início ao fim”, afirmou.
Na infraestrutura, prometeu ampliar os investimentos em obras, citando expansão do metrô, BRT e Anel Rodoviário, e propôs a contratação de seguros para obras públicas, como forma de garantir custos, qualidade e cumprimento de prazos. Sobre o BRB, defendeu que o banco precisa ser preservado: “É necessário salvar o BRB.”
Na ocasião, o candidato disse que é a favor de uma tabela de preços para que com isso sejam evitadas obras malfeitas e paradas.
Ricardo Capelli apresentou a posição mais incisiva no combate à grilagem. Com experiência na área de segurança pública, defendeu o uso de tecnologia para identificar novas ocupações e propôs a criação de uma delegacia especializada de combate à grilagem dentro da estrutura de meio ambiente. “Como é que não tem mapeamento no Distrito Federal para acabar com essa indústria da grilagem? Hoje em dia é tecnologia”, afirmou. Em seguida, apresentou sua proposta: “Vou criar uma delegacia especializada de combate à grilagem, pra botar grileiro na cadeia toda semana.”

Capelli afirmou ainda que a ocupação irregular não representa apenas um problema fundiário, mas produz efeitos sobre mobilidade, segurança e organização urbana. Também alertou para o risco de aproximação entre grupos envolvidos com grilagem e agentes de segurança, afirmando que esse processo poderia levar à formação de milícias. “Então nós precisamos ser firmes. Tolerância zero com a grilagem”, declarou.
O candidato defendeu uma mudança no modelo de desenvolvimento do DF. A proposta é criar polos de desenvolvimento econômico nas diferentes regiões administrativas, reduzindo a concentração de empregos e serviços no Plano Piloto.
A situação do BRB também foi tratada como uma questão estratégica para a economia do Distrito Federal. Capelli afirmou existir uma grave crise financeira no horizonte e questionou o tamanho das perdas do banco. “Qual o tamanho do rombo do BRB? Ninguém sabe”, declarou. O candidato também relacionou a situação da instituição às contas públicas e afirmou que o próximo governo encontrará um cenário de elevada incerteza financeira.
Apesar das diferenças, as três candidaturas colocaram em evidência temas diretamente relacionados ao ambiente de negócios da construção civil e do mercado imobiliário: o controle da ocupação do território, a previsibilidade dos processos, a infraestrutura, a revitalização de áreas consolidadas e a capacidade do governo de planejar e executar investimentos.